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lunedì 13 ottobre 2014

Truth-taking stare (David Wojahn)


... in which generally the patient has the sense of having lost contact with things, or of everything having undergone a subtle but all-encompassing change, reality revealed as never before, though eerie in some ineffable way.
—Louis Sass

Or gallery. Or strange askew museum. Or painting of a hotel bed
with some cheap print above the headboard. (Palm tree or a sleigh
pulling Xmas trees.) Or the day two-dimensional, subzero

as I run the beach along the frozen lake. The waves
lathed to Hokusai spirals. Cold gallery, every inch
of wall space covered, park benches derbied by snow.

House designed by Frank Lloyd Wright. House for battered women.
House of the servants of His Godhead Reverend Moon
Who plots in some Seoul penthouse His glorious

death and resurrection. Ten minutes ago I left you
to the laying on of hands. Maria talking fast in glottal
Polish, and the physical therapist, hugely blonde,

lifting your legs, white cocoons of the casts. First up,
then to the sides, the hospital bed in the living room
hulking, whirring as it moves along with you.

To talk of this and you directly, though I can’t.
To heal you with my own hands though I can’t.
Legs not working, hands not working, tongue encased in plaster.

The tongue going numb with the hands. Why my friend Dave
loves jazz: to hammer and obliterate the words,
nullify too the wordlessness. “Blue Train” on my Walkman

as the Moonies leave from house to van, lugging crates
of silken flowers. Blue pills that didn’t work.
Then my month of yellow pills. To not metamorphose

to my father writhing as the charges surge
from temples down the spine, a dog’s twitching legs
in sleep. To mollify with acronyms: ECT, Odysseuses

and Tristans of PDR, yellow Prozac, sky blue Zoloft.
To heal you with my own hands though I can’t.
The day two-dimensional. (Past and present and to dwell

in neither.) Truth-taking stare. Height and width,
no depth. On a screen the paramedics ease you
from car to ambulance, having labored with a crowbar

at the door, and I push again through the crowd
on Thorndale. This is my husband. Please
let him come with me. The inside of the ambulance,

overlit. Not a scream, the mute button pushed.
Generally the patient has the sense ... To watch
the memories shuffle on a screen. To Portugal ten years ago.

Our Lady of The Wordless Stare. The Bishop of Leiria
in sepia on the gallery wall, his hand that waves
a sealed envelope. Caption: “The Famous Third Secret of Fatima.”

The visitor’s center, thronging with white habits.
The road to the Basilica flanked by tourist booth, a wax museum.
Faces of two nuns who point to every photo, who’ve fled Cambodia,

one who speaks some English, and the beautiful younger one
whose tongue was “excised” by the Khymer Rouge—
on pilgrimage, thanksgiving for deliverance.

Their charter bus from Nice is parked outside,
pneumatic door and motor humming. Our Lady of the Wordless
stares at me. She stares .... And I’m shaken out of it

by helicopter stammer, drowning Coltrane,
all sixteenth notes as the Moonies reach the left of the frame.
Dissolve, myself, from the right of the frame. Synesthetic

whir of chopper blades, six hundred feet above the lake.
Then the picture empty. And the lake with wind anointed.
And the lake with wind. And the emptiness, anointed.
David Wojahn, “Truth-Taking Stare” from The Falling Hour. Copyright © 1997. All rights are controlled by the University of Pittsburgh Press, Pittsburgh, PA 15260. Used by permission of the University of Pittsburgh Press.

Source: The Falling Hour (University of Pittsburgh Press, 1997)

mercoledì 1 ottobre 2014

Excremento

Existe aquela violência de um cabresto que te empurra pro curral.
A voz de um homofóbico,
as caras de um daqueles que se acostumaram tanto
às suas dobras
que querem dobrar com elas o universo.

Eu queria excrementá-las todas.
Ser um grande início de tubo digestivo
e pairar
e erguer tótens de cus pelas colinas.
Porém me retenho.
Deve ser que a liberdade esbarra na igualdade.
Deve ser que eu não posso criar outra espécie:
a que só se incrementa excrementando.

Mas algum dia, que cagada,
eu desagravo.

domenica 28 settembre 2014

ESCALA, de H2A (Heitor Humberto de Andrade)

Toda vez
que olho pela janela
do apê em que moro

vejo uma rosa
num círculo
de terra

Os pássaros
gorjeiam
nas árvores

O céu sempre
belo: seja
dia ou noite

A poesia
é imensa
e bucólica

e eu sempre
angustiado
com essa falta de dinheiro.

giovedì 25 settembre 2014

Hei

Recorda-te: não vai te acostumando a cada dia com a dilaceração.
Vai haver um dia o minuto da comunidade do êxtase..

Se estiveres acostumado aos restos,
serás porco para as pérolas,
serás abismo para teu corpo.

O mês de Devrim

3 de setembro choveu
Eu pulei a janela do prédio para abreviar o caminho até a classe que eu assistia de Poéticas Contemporâneas 2. Cheguei molhado. Eu tinha trazido 20 imagens para começar um atlas e 10 massinhas coloridas. Eram 10? Gostei muito da branca.
10 de setembro foi o parto: de manhã cedo.
Teve aqueles 40 minutos, nomeados mais tarde pelo pediatra, em que a recem-nascida começou a vida como outra que olha, e me olhava como se fosse me encontrar de uma só vez. Depois isso passou e ela começou a vida como recem-nascida. Quase sem ver muito ao redor.
17 de setembro foi na rua, seca como em 10 de setembro. Mas eu estava nela.
As duas da tarde fiquei atravessando pela faixa de pedestre a rua entre a rodoviária e o conjunto nacional. Estava ensinando um curso, conceitos como personagens, que pedia que nós pedíssemos para segurar na mão de alguém para atravessar a rua.
24 de setembro, último dia de 5774 e, no fim da tarde, da janela de Poéticas Contemporâneas 2, começou a chover. Agora a seca acaba mesmo, é esta, pensei, aquela chuva divisora de águas. Dois anos atrás a Divisora veio de noite quando eu ensinava um curso mais ou menos sobre a Gramática Expositiva do Chão, de Manuel de Barros.

domenica 21 settembre 2014

Sobre o ar parado, sobre o bafo quente

Nos dias modorrentos de início de primavera
penso que o mundo é feito de desritmias:
os compassos que mais embalamos
ressoam séculos depois, quando já
não temos a baqueta do xilofone.

A doutrina da imortalidade objetiva,
recheada de corrogênese e descompasso,
vista da sombra da castanheira enorme
é uma formulação estrita do hedonismo.
Esqueço o arroz na panela perto do sol.
Procuro, entre os grãos superpovoados,
uma nave para fazer minha anábase.
Não tem nave. Não tem calendário.
O elevador enguiçou a passagem das horas
e só as cigarras sabem quando vai chover.

venerdì 12 settembre 2014

Tikkum Olam

Nasceu ante-ontem mais uma pessoa. Para que escrever mais um livro, se já há tantos?
Há livros que nasceram para mudar todos os outros livros.
Assim nasceu esta pequena cria, sol raiando, lua cheia, entre os livros de Addichie
e uma pequena coleção (incluindo um livro sobre o Hezbollah)
sobre Tikkum Olam - estamos para emendar o mundo.
(E mexendo com os dedos todas as eminências imanentes iminentes.)

giovedì 4 settembre 2014

As bordas entre as tintas de um Seurat

Uma vez uma coisa se revelou imortal a mim com toda nitidez:
e não era uma coisa, era uma excesso de bordas entre elas.
Cada coisa invadia as outras ao seu redor: a paisagem era insuficiente
o presente era insuficiente, a circunstância era insuficiente.

Imortalidade objetiva. Não era imagem alguma que ia retornar eternamente,
era a pincelada.

There are other countries


martedì 26 agosto 2014

Ponteiros, Porteiros

roubei uns minutos

o relógio não guarda todos, só os predestinados
já que o futuro é só o que já está marcado
antes do ponteiro marcar
meus minutos são clandestinos
ficam do lado de fora do círculo dos porteiros
o tempo também tem suas personagens
que fogem da raia.

estes tempos roubados se acabam logo
nem dá pra contar os segundos
eles se desmancham no ar
como uma hóstia de heresia
como um suspiro de satisfação.
(Mas todos os relógios abrigam estes minutos
a mais. Que eles não guardam.
Eles não ficam na tração do presente
destroçando uns passados
- ficam na distração.)

mercoledì 20 agosto 2014

Dieter achou estes poemas do tempo do nosso último encontro

dein körper ist deine bühne



(für hilan)



das leben ist eine bühne

auf der die sterblichen materien

ihre un-sterblichen reden halten



13035 f



viel-oh-so-vieh !

(für hilan)



du willst deine

philosophie leben ?

die philosophie, bruder

ist nicht fürs leben gemacht

die philosophie, bruder

ist nur fürs

philosophieren gemacht !



13037 c



esquizotrans ou :

imaginacoes maiúsculos e

ejaculacoes minúsculos



(para hilan)



A transa com B

que transa com C

que transa com D

que transa com E

que transa com F

que transa com G

que transa com H

que transa com I

que transa com J

que transa com K

que transa com L

que transa com M

que transa com N

que transa com O

que transa com P

que transa com R

que transa com S

que transa com T

que transa com U

que transa com W

que transa com X

que transa com Y

que transa com Z

que transa com A

e assim se fecha a trans-acao

que ninguém abriu



13039 b

martedì 19 agosto 2014

O impacto dos livros

Pensar. Os que pensam. O tempo para pensar.
Antoine Wilson escreveu Panorama City como uma outra operação
- deve ser.
Mas eu, cheguei à metade do livro.
E concluí: o pensamento é manipulação.

Já nem consigo mais pensar.
Fico esticado como uma aranha com uma pata em cada continente.
Fico querendo vazar pelo ralo.


giovedì 14 agosto 2014

Handke's Song of Childhood

"Song of Childhood" by Peter Handke
Lied Vom Kindsein – Peter Handke

Als das Kind Kind war,
ging es mit hängenden Armen,
wollte der Bach sei ein Fluß,
der Fluß sei ein Strom,
und diese Pfütze das Meer.

Als das Kind Kind war,
wußte es nicht, daß es Kind war,
alles war ihm beseelt,
und alle Seelen waren eins.

Als das Kind Kind war,
hatte es von nichts eine Meinung,
hatte keine Gewohnheit,
saß oft im Schneidersitz,
lief aus dem Stand,
hatte einen Wirbel im Haar
und machte kein Gesicht beim fotografieren.

Als das Kind Kind war,
war es die Zeit der folgenden Fragen:
Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche
nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin,
bevor ich wurde, nicht war,
und daß einmal ich, der ich bin,
nicht mehr der ich bin, sein werde?

Als das Kind Kind war,
würgte es am Spinat, an den Erbsen, am Milchreis,
und am gedünsteten Blumenkohl.
und ißt jetzt das alles und nicht nur zur Not.

Als das Kind Kind war,
erwachte es einmal in einem fremden Bett
und jetzt immer wieder,
erschienen ihm viele Menschen schön
und jetzt nur noch im Glücksfall,
stellte es sich klar ein Paradies vor
und kann es jetzt höchstens ahnen,
konnte es sich Nichts nicht denken
und schaudert heute davor.

Als das Kind Kind war,
spielte es mit Begeisterung
und jetzt, so ganz bei der Sache wie damals, nur noch,
wenn diese Sache seine Arbeit ist.

Als das Kind Kind war,
genügten ihm als Nahrung Apfel, Brot,
und so ist es immer noch.

Als das Kind Kind war,
fielen ihm die Beeren wie nur Beeren in die Hand
und jetzt immer noch,
machten ihm die frischen Walnüsse eine rauhe Zunge
und jetzt immer noch,
hatte es auf jedem Berg
die Sehnsucht nach dem immer höheren Berg,
und in jeder Stadt
die Sehnsucht nach der noch größeren Stadt,
und das ist immer noch so,
griff im Wipfel eines Baums nach dem Kirschen in einemHochgefühl
wie auch heute noch,
eine Scheu vor jedem Fremden
und hat sie immer noch,
wartete es auf den ersten Schnee,
und wartet so immer noch.

Als das Kind Kind war,
warf es einen Stock als Lanze gegen den Baum,
und sie zittert da heute noch.




Song of Childhood – Peter Handke

When the child was a child
It walked with its arms swinging,
wanted the brook to be a river,
the river to be a torrent,
and this puddle to be the sea.

When the child was a child,
it didn’t know that it was a child,
everything was soulful,
and all souls were one.

When the child was a child,
it had no opinion about anything,
had no habits,
it often sat cross-legged,
took off running,
had a cowlick in its hair,
and made no faces when photographed.

When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?

When the child was a child,
It choked on spinach, on peas, on rice pudding,
and on steamed cauliflower,
and eats all of those now, and not just because it has to.

When the child was a child,
it awoke once in a strange bed,
and now does so again and again.
Many people, then, seemed beautiful,
and now only a few do, by sheer luck.

It had visualized a clear image of Paradise,
and now can at most guess,
could not conceive of nothingness,
and shudders today at the thought.

When the child was a child,
It played with enthusiasm,
and, now, has just as much excitement as then,
but only when it concerns its work.

When the child was a child,
It was enough for it to eat an apple, … bread,
And so it is even now.

When the child was a child,
Berries filled its hand as only berries do,
and do even now,
Fresh walnuts made its tongue raw,
and do even now,
it had, on every mountaintop,
the longing for a higher mountain yet,
and in every city,
the longing for an even greater city,
and that is still so,
It reached for cherries in topmost branches of trees
with an elation it still has today,
has a shyness in front of strangers,
and has that even now.
It awaited the first snow,
And waits that way even now.

When the child was a child,
It threw a stick like a lance against a tree,
And it quivers there still today.