venerdì 20 novembre 2009
mercoledì 18 novembre 2009
Muna Yousef me manda um poema com meu nome
palestinas fazem pães
filhos para não desaparecerem do mapa
juventude
mesquita
mercado
heroína
sinagoga
chá preto
cedro do líbano
estrela do oriente
lunedì 16 novembre 2009
El solicitante descolocado de Leónidas Lamborghini
Sem comiseração. Ele não se desinventa mais.
El solicitante descolocado
Desempleado
buscando ese mango hasta más no poder
me faltó la energía la pata ancha
aburrido hace meses, la miseria
busco ahor atrabajo en la era atómica
dentro o fuera del ramo
si es posible.
Todos los días abro el mundo
un jardín de esperanzas
en la sección empleados
voy clasificándome
atento
este aviso me pide.
Entonces
a escribir con pasión y buena letra
adherido con lealtad
—ser claro—
escucho el ruego del ruiseñor
uniendo lo primitivo a lo culto
la inspiración a la escuela
trato de seducir
con mis antecedentes.
Solicitud detállame
el que suscribe
práctico en desorganizar
está deseando
ganarse un pan en tu establecimiento
hombre de empresa
casilla de correos.
sabato 14 novembre 2009
Heráclitas

Na madrugada do universo é sempre tarde,
sobreviver: deformar, desformar,
transtornar, atormerntar.
ter fome, mais fome, e desviar, desviar do que está pronto, deixar o arquétipo caquético. Me move a fome. Eu sou como o universo: eu trago. Devoro.
Encho o planeta de rugas – minha pele, minhas vísceras, minha respiração. Caquética, caquética, caquética e eu tenho fome.
Tenho fome de virar em tudo que não sou.
Tenho fome de fricção, me esfrega, me esfrega, me esfrega.
Eu ardo. Minhas mandíbulas, minhas clavículas,
meus tornozelos se dissipam.
Tenho fome de fricção.
Tenho fome de ser contra ser tudo que não sou. Minha ânsia, meus pés, minha fome de minha carne virada em teus olhos, virada em teu pó, virada em teus vermes, virada em teu barulho – tuas flatulências.
Água fresca corre dentro de você, mesmo nos teus rios mais velhos, nos teus rios sem bordas – nos teus rios que carregaram as bordas com ele.
Não me olhe como seu eu fosse pérola, não sou mais nada, nem ostra, nem areia
Meu corpo todo é marcado do que eu deixei de ser.
Decaio, decaio, decaio – e ainda me sobra a decair
porque não há destruição rumo ao nada.
Sairei às pressas, assim como estou, e andarei pelas ruas. Com meu cabelo em desalinho. Que faremos amanhã? Que faremos jamais? O banho quente às dez. E caso chova, um carro às quatro. Fechado. E jogaremos uma partida de xadrez, apertando olhos sem pálpebras A espera de uma batida na porta.
São tuas qualidades incendiárias que farão por você amanhã.
Teus vermes incendiários. Teus ímpetos de cuspir.
Porque o fogo é falta e excesso.
Sob qualquer coisa que flutua pode se encontrar outras coisas que fluem.
Nem a mesma gota, nem o mesmo pingo. Nem a mesma planta. Nem a mesma enxurrada.
Estorrica, estorrica, estorrica – enruga, enruga.
Os mesmos também se enrugam.
Minhas rugas decorrem emanações. Cabelos emanam, folhas emanam. Já fui planta e pássaro, moço e moça, pois sabia que nada cauteriza a desavença. Nem se controla o esplendor das vinganças por baixo dos panos substituindo florestas por jardins.
Carrego a potência da quebradeira.
Os princípios envelhecem.
Ouvi dizer que a percepção é o acontecimento que toma conta das mulheres, das éguas, das cadelas.
Tudo toma conta de tudo. [...] vento, fogo e poeira – tudo invade tudo.
Nunca envelheço duas vezes com as mesmas rugas.
Tentam extirpar a quebradeira do mundo. Já o âmago evaporou.
A danação das essências.
Para a lua, as marés são não mais que sua criação. Todas as coisas são criadoras de realidades. E todas encontram algumas outras prontas: não, nunca prontas, apenas suficientemente estagnadas. E as tornam decrépitas.
O corpo queima, arrepia, arde, cheira, molha, sua, treme...
Eu nunca larguei o mesmo sangue duas vezes.
Minha menstruação é minha transformista.
Eu me rasgo, eu me dilacero, eu me fertilizo.
Caquética e fértil, assim é o planeta, assim são todas as coisas – prontas pra gerar sementes, mas nunca prontas. Sou tua fêmea velha, sou tua potranca velha, vem, me devora que eu tenho fome. Corre água fresca de dentro de mim. Corre sangue fresco de dentro de mim. Corre seiva fresca de dentro de mim. Tudo mistura, tudo borra. Tudo fertiliza.
Na minha fome.
coisas turbulentas surgiram de águas estagnadas.
Me disseram que eu vou retornar ao pó, eu perguntei: que pó?
Os corpos sempre estão à disposição, mas as disposições não tem dono.
Elas se danam. Se abandonam.
Danação.
O abuso é preciso disseminar como um incêndio.
Há muito mais entre o caos e a ordem
do que tem pensado estes últimos milênios aflitos
que vi com meus olhos, com minha pernas, com meu grelho ensangüentado, com minhas tormentas simbólicas e diabólicas.
Eu vi os túneis secretos por baixo das grades das prisões e os túneis secretos por baixo dos túneis secretos das prisões.
Não há prisão de segurança máxima.
[...] debaixo da pedra havia um caminho.
a natureza tem suas gambiarras.
O mundo não pode ser abreviado
A decrepitude não tem governo – não tem princípio.
Caquética, e protética, caquética, caquética.
A natureza ama esconder-se. Nenhum corpo pode ficar completamente vestido,
nem completamente pelado. Mas os biombos conspiram.
Minhas rugas, meus fluidos sangues, eles escavam o mundo.
Sou Heráclita, caquética, sou toupeira, lavradura.
Minhas palavras não ficam prontas. Elas são atrizes. São transformistas.
Qualquer palavra é desmantelada. Ingovernável.
Confio mais no esquecimento que nas bibliotecas.
nada de mim eu quis que se mantivesse, quase nada perdurou e eu nunca parei de envelhecer.
E rugas, rugas, rugas. Rugas degeneram os princípios, os círculos, as estátuas de bronze feitas de pele. Degeneram as rugas. Degeneram as ruas. Meu sangue caquético, decrépito e fértil na tua estrada. Me emprenhem.
Eu nunca menstruo o mesmo sangue duas vezes.
Uma (Alice) Ruiz
e um vagalume
o sol se põe
(e outro para o eros é eris:
ônus do abandono
foi um bando que me deixou
sem dono)
giovedì 12 novembre 2009
A Silly Poem by Spike Milligan
I'll draw a sketch of thee,
What kind of pencil shall I use?
2B or not 2B?
mercoledì 11 novembre 2009
Eve Ensler e a minissaia
Minha minissaia
Dos “Monólogos da Vagina” de Ensler
para Geisy Arruda e as profundezas do escândalo
Minha minissaia não é um convite
uma provocação
uma indicação
do que eu quero
ou dou
ou que eu flerto.
Minha minissaia
não está implorando por isso
não está querendo que você
a arranque de mim
ou a abaixe até o chão.
Minha minissaia
não é um argumento jurídico
para você me violentar
ainda que já tenha sido
e não vai servir de prova
em nenhum tribunal.
Minha minissaia, acredite ou não
não tem nada a ver com você
Minha minissaia
tem a ver com a descoberta
do poder das minhas pernas
e do ar frio do outono passeando
pelo interior das minhas coxas
tem a ver com tudo o que eu vejo
ou passo ou sinto viver dentro de mim.
Minha minissaia não é prova
de que eu seja estúpida
ou indecisa
ou uma menininha maleável.
Minha minissaia é meu desafio
e você não vai me amedrontar
Minha minissaia não está se exibindo
é esta que eu sou
antes que você me faça cobri-la
ou disfarçá-la.
Acostume-se.
Minha minissaia é felicidade
Eu posso me sentir no chão.
Sou eu qui. E eu sou gostosa.
Minha minissaia é liberação
bandeira no exército das mulheres
Eu declaro estas ruas, quaisquer ruas
o país da minha vagina.
Minha minissaia
é água azul turquesa
onde nadam peixes coloridos
um festival de verão
na escuridão estrelada
um pássaro cantando
um trem chegando em uma cidade estrangeira
minha minissaia é um rodopio
um suspiro profundo
um passo de tango
minha minissaia é
iniciação
apreciação
excitação.
Mas acima de tudo minha minissaia
e tudo que ela cobre
é Meu.
Meu.
Meu.
fontes da tradução:
http://www.politikaetc.info/
http://www.criminologiaetc.blogspot.com/
Raphael e Aline
mercoledì 28 ottobre 2009
Chakravorty
que eu nem meço mais, nem aço defesas -
molho as mangas despreparadas com água e cloro
e arrebento minha precisão.
Fico com palavras tentando morder meus ombros
e não escrever diários em primeira pessoa
despejar o que cai do céu - debulhar
e o que cai, cai em gotas.
sabato 24 ottobre 2009
O poeta e os elementos de Mendes Vianna
(Dá até pra clicar nos youtubes nas entrelinhas correspondentes já na primeira leitura)
A força do fogo
- tão forte força -
não queima
a dor! (Só a dor
cauteriza a dor).
http://www.youtube.com/watch?v=A_zFw7I6TUg
A força da água
- tão forte força -
não lava
a dor! (Só a lágrima
pode polir o agravo).
A força do ar
- tão forte força -
não areja a dor,
não ala a pedra
de Sísifo. Só o sonho
de ser livre nos orça
e salva.
http://www.youtube.com/watch?v=hpz4xE9xCZ4
A força da seiva
- tão forte força -
não corre nas veias.
Só flui nas nervuras,
so flui nos caules.
Não flui na minha raiz
e não cura
a cicatriz.
sabato 17 ottobre 2009
AUSPUFF, by Dieter & Davidle roos
giovedì 15 ottobre 2009
O tal pato
Há barulhos que são persas - o Saul
desistiu de afundar navios. Eu pego o Mcnaught levantado do chão, a
Ana Cristina foi ver os quartos vazios de novo;
ela acordou com a roda da bicicleta enterrada nas sobras de parafina -
procuro entre os meus papéis orientação.
O Menezes quebrou quatro regras com a Ana Cristina
e depois passou vinte minutos comendo pão com queijo seco
fazendo regra três com sua testa de sedução estética;
vou ao Bosforo com a Huda Shaarawi - ela
alugou uma casa de madeira no alto de uma montanha
de onde se vê o mar de marmara e decorou com pequenos animais
brancos, destes que os franceses faziam nos anos cinquenta.
Só no fim da manhã é que Toni recebeu o envelope azul:
continha dez mil reais em notas argentinas e o broche de ouro de um pato assado, gemendo.
sabato 10 ottobre 2009
A Rumi to place in your door
every morning a new arrival
a joy, a depression, a meanness.
Some momentary awareness comes
as an unexpected visitor.
Welcome and entertain them all!
Even if they are a crowd of sorrows
who violently sweep your house
empty of its furniture.
Still treat each guest honorably.
He might be cleaning up you out
for some new delight!
The dark thought, the shame, the malice
meet them at the door laughing
and invite them in
be grateful for whoever comes
because each has been sent
as a guide from beyond.
lunedì 5 ottobre 2009
Os Pobres na Estação Rodoviária - Lêdo Ivo
Os pobres viajam, Na estação rodoviária
eles alteiam os pescoços como gansos para olhar
os letreiros dos ônibus. E seus olhares
são de quem teme perder alguma coisa:
a mala que guarda um rádio de pilha e um casaco
que tem a cor do frio num dia sem sonhos,
o sanduíche de mortadela no fundo da sacola,
e o sol de subúrbio e poeira além dos viadutos.
Entre o rumor dos alto-falantes e o arquejo dos ônibus
eles temem perder a própria viagem
escondida no névoa dos horários.
Os que dormitam nos bancos acordam assustados,
embora os pesadelos sejam um privilégio
dos que abastecem os ouvidos e o tédio dos psicanalistas
em consultórios assépticos como o algodão que
tapa o nariz dos mortos.
Nas filas os pobres assumem um ar grave
que une temor, impaciência e submissão.
Como os pobres são grotescos! E como os seus odores
nos incomodam mesmo à distância!
E não têm a noção das conveniências, não sabem
portar-se em público.
O dedo sujo de nicotina esfrega o olho irritado
que do sonho reteve apenas a remela.
Do seio caído e túrgido um filete de leite
escorre para a pequena boca habituada ao choro.
Na plataforma eles vão o vêm, saltam e seguram
malas e embrulhos,
fazem perguntas descabidos nos guichês, sussurram
palavras misteriosas
e contemplam os capas das revistas com o ar espantado
de quem não sabe o caminho do salão da vida.
Por que esse ir e vir? E essas roupas espalhafatosas,
esses amarelos de azeite de dendê que doem
na vista delicada
do viajante obrigado a suportar tantos cheiros incômodos,
e esses vermelhos contundentes de feira e mafuá?
Os pobres não sabem viajar nem sabem vestir-se.
Tampouco sabem morar: não têm noção do conforto
embora alguns deles possuam até televisão.
Na verdade os pobres não sabem nem morrer.
(Têm quase sempre uma morte feia e deselegante.)
E em qualquer lugar do mundo eles incomodam,
viajantes importunos que ocupam os nossos
lugares mesmo quando estamos sentados e eles viajam de pé.
http://www.esteticaderodoviaria.blogspot.com/