Visualizzazioni totali

giovedì 27 novembre 2008

Meio watt de luz a menos (passado 20/11)


Minha terra é de ombros negros

que cantam jongos nos estômagos,

e ardem esporas nos rins.

É que no meu país,

meu pequeno povo branco e confortável

habita uma terra trêmula

feita de ombros escuros,

sempre escravizados,

onde nós pisamos e plantamos hortaliças.

Nossa terra, parda e fértil,

nos alimenta e nos acalenta

e deixa a mesa posta

e os tapetes esfregados.

Nossa terra tem palmeiras

e tem palmas, cortadas, amassadas,

tornadas em óleo

e preparadas em quitutes

que saboreamos e deixamos as sobras,

pois nossa terra-de-ombros-escuros

também lava nossos pratos.

No meu país a terra dá ritmo

e tonalidade, a terra ela mesma balança

e a dança da terra nós também dançamos

temos o barro exótico em nossa própria terra

e dizemos que é nossa raiz que está nela,

raiz fincada em ombros.

Assim. nosso povo parece gigante,

grande sobre uma terra alta

que é fértil mãe gentil

e nos amamenta e cuida dos nossos filhos

quando vamos trabalhar.

Nosso povo se habituou a pisar

os ombros como se fosse chão,

já não sabe pisar a terra.

Mas a cada vez que pisa na pele que é chão

deixa escapar quase exatamente

meio watt de brilho em cada par de olhos.

Nessun commento: